estou sóbrio, doente
olhando para a rua pelos poucos centímetros
de visão que a janela me oferece
as mesmas árvores
os mesmos prédios
a velha dor e sua companheira solidão
o telefone toca, ninguém atende
imagino que por aí as pessoas
exibem seus talentos, expressam suas opiniões
e vivem suas paixões
como conversam! como são interessantes!
eu as observo, fascinado
como um antropólogo
de vez em quando, até consigo
emulá-las
mas geralmente fico assombrado
e no silêncio que inevitavelmente se segue
me pergunto onde estão meus interesses
meus talentos, minhas histórias
o que houve comigo?
vivo por um trago, uma noite de sexo
digo as palavras certas
como é fácil ser devotado aos outros
quando não se tem nada
e os dias passam...
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